domingo, 18 de junho de 2017

Entrevista Devaneios da Lua.

                            #EntrevistandoAutores – P. M. Mariano



A entrevistada de hoje é a escritora Priscila Marcia Mariano
Vamos começar?

Priscila Marcia Mariano costumava escrever apenas fantasias, até que, ao inciar um novo livro e deixar que a história se desenrolasse, a autora se deparou com um drama intoxicante, Inocência Perdida, primeiro livro da Saga de Um Pintor!

Vamos conhecê-la um pouquinho mais? 😉

Primeiramente, nossos sinceros parabéns pela coragem em se aventurar por um tema tão pesado e delicado quanto a pedofilia e o abuso e exploração de crianças e adolescentes! Segundo, como surgiu a vontade de escrever A Saga de Um Pintor?

“Eu mesma não sei, foi de repente.”, revelou a autora. “Na verdade a ideia surgiu do nada, comecei a escrever o início sem saber no que ia dar. Até pensei de imediato que seria mais uma fantasia, como sempre faço, meus livros vêm aos poucos enquanto escrevo. Mas então a história mudou completamente e percebendo o conteúdo dela, resolvi que precisava fazer uma pesquisa para ser verdadeira no tocante ao assunto, não em relação ao drama. Então A Saga de um Pintor surgiu.”

Escrever a história de Felipe, em toda sua complexidade, claramente não foi tarefa nada fácil: Houve algum momento em que pensou em desistir? Se sim, o que te motivou a prosseguir com a jornada do garoto?

“Foi bem difícil sim e não tive vontade de desistir em nenhuma fase da história, apesar das cenas fortes que muita das vezes me davam nojo e raiva, mas sei que estes fatos acontecem em muitas das casas no Brasil e no Mundo. E foi por isto que persisti na história. Uma maneira de demonstrar o que realmente é a dor e agonia de uma criança e ou adolescente, abusada. Tem que colocar a aberto para todos.”

Quanto tempo em média, entre o processo de pesquisa e escrita, você levou para concluir a obra Inocência Perdida? Os demais livros da série já estão concluídos?

“Bem, Inocência Perdida, como foi o primeiro, levou mais tempo por causa da pesquisa. Tive que elaborar toda uma trama com fatos que realmente acontecem no dia a dia de vários jovens. Minha pesquisa foi em cima de séries que assistia, relato de assistentes sociais e psicólogos que me deram um apanhado do assunto e algumas entrevistas, com adultos que sofreram abuso na infância.”, explicou. “Levou seis meses para estar concluído. São quatro volumes e todos estão completos. O segundo volume, Doce Ilusão, já se encontra em processo de publicação pela Drago Editorial. Iniciei a Saga de um Pintor em 2011 e terminei em 2013.”

“Ela ficou engavetada por dois anos e em 2015 tive a coragem e a força de amigos e familiares para publicar o primeiro volume.”

O livro evidentemente possui diversas cenas fortes, na sua concepção, qual delas foi a mais difícil de escrever?

“Todas as cenas foram difíceis de escrever…”, refletiu, antes de continuar:

ALERTA DE SPOILER

“(…) mas a que mais me marcou foi a cena que Felipe se entrega ao pai, no acampamento, fugindo da polícia.”

Falar de pedofilia e exploração de crianças e adolescentes é falar da infeliz realidade de milhões de jovens afora. Em sua opinião, o que deveria ser feito para mudar essa situação? E por que esses casos são tão comuns?

“Acredito que o mais importante seria uma atenção mais acentuada sobre educação para a família e a sociedade, explicando os efeitos que o abuso acarreta em todos que vivem esta agonia. Leis mais rigorosas contra aqueles que o praticam… Dizem que o pedófilo é doente, mas nem todos podem ser considerados doentes, existem homens e mulheres que são ruins. Aqui coloco mulheres, porque não só homens são pedófilos. São em menor número, mas existem.”, concluiu. “E em relação à família, deve-se prestar atenção máxima nas crianças e se perceber algo diferente, providenciar uma pesquisa mais apurada dos fatos, não coagindo a criança, mas tentando ajuda-la através de psicólogos que são o melhor caminho. Sem falar de professores e agentes de saúde.”

“E por que estes casos são tão comuns? Porque as famílias são falhas… Têm receio da repercussão que este acontecimento pode acarretar para todos. Uma mãe desconfia de sua filha/filho em relação ao pai, irmão ou tio, ou qualquer outro indivíduo… Mas não quer aceitar a realidade dentro da sua própria família. Os pais podem até mesmo dizer que o filho/filha é culpado do que aconteceu. São dramas que eles não querem ter na vida deles. Infelizmente, como está descrito, a pedofilia é tabu e ninguém quer ter a família jogada na lama por causa disto. Sem contar que os abusados, em muitas ocasiões, preferem ficar calados a dizer o que estão passando, com receio do que pode lhes acontecer, é como estarem em um pesadelo contínuo…”, declarou sabiamente a escritora.

Como você se descobriu escritora? E o que você diria para autores que, assim como você, querem abordar temas polêmicos, no entanto, ainda sentem receio quanto à aceitação dos leitores?

“Na realidade, sempre fui contadora de histórias… Antes mesmo de ser alfabetizada, já contava histórias para os meus amiguinhos de brincadeira. Aos sete anos fazia cineminha com papelotes e cobrava um doce para aqueles que assistiam, enquanto eu contava uma história mirabolante, inventada na hora.”, disse ela, esbanjando fofura! “Minha primeira vez como escritora foi aos dez anos quando fiz o meu primeiro poema. Logo depois, fiz a primeira história de fantasia, mesclando minhas ideias com um filme que vi. Já nesta época, lia bastante, desde revistinhas a livros e jornais. Adorava ler, pegava qualquer leitura que me chegava às mãos. Na escola, ficava mais no ar do que assistia aula… Vivia sonhando acordada. Foram anos onde vários manuscritos foram elaborados e guardados, pois apesar de não ter condições de publicar minhas histórias, nunca desisti de escrever. Sempre escrevi para o publico infanto-juvenil e adulto jovem, livros de ficção/fantasia. Somente em 2009 publiquei meus primeiros livros, Um Mistério na Serra do Mar e Rino, o Guerreiro Alado.

“Em 2011 fiz o meu primeiro romance/drama – A Saga de um Pintor – e em 2015 publiquei o primeiro volume da saga – Inocência Perdida – na Drago Editorial. Hoje tenho vários livros publicados no Amazon.com, no Clube de Autores e Wattpad.”

Quanto aos temas polêmicos…

“Abordar um tema polêmico é difícil, principalmente, porque deve ser verossímil. Baseado em pesquisas reais e bem elaborado. Não se deve levar ao público àqueles que serão abordados na história, a não ser que a pessoa em questão consentir ou se for uma biografia consentida. Deve-se ter em mente que há uma necessidade de pesquisa sobre o assunto e de tudo que envolve a história (locais, famílias, regiões e país). No meu caso, o livro é uma ficção, pois Felipe e sua família, e todos os envolvidos são fictícios. Porém as reações psicológicas vistas em Felipe são verdadeiras e trabalhadas de acordo com seus sentimentos. Foi muito duro escrever as cenas de abuso. Várias foram as ocasiões, após o termino de Inocência Perdida, em que eu discutia comigo mesma e com amigos, sobre a permanência das cenas chocantes, mas cheguei a conclusão de que havia necessidade delas para a compreensão do que iria acontecer a Felipe nos livros vindouros. Quem, realmente, se propõe a escrever um livro que sabe que chocará o publico, deve estar ciente de que ouvirá tanto palavras positivas, como negativas. Não podem deixar com que isto os faça desistir, se as razões para o que está escrevendo, são para alertar ou deixar visível ao publico, a sociedade, a verdade por baixo dos panos.”, aconselhou. “Por isto os temas como pedofilia, política, religião, prostituição e outros, são motivos de muita polêmica e discussão. Mas se você, escritor, tem coragem e acha que o que escreveu é o certo, vá em frente e descortine a verdade aos olhos daqueles que se fazem de cegos.”

Por fim, conta para gente… Já está pensando em projetos futuros?

“Projetos futuros?! São vários…”, introduziu.

“Para início estou revisando o terceiro volume da Saga de um Pintor – Gotas de Fel – que pretendo publicar em 2017. E ainda em 2016 saiu o segundo volume da Saga de um Pintor – Doce Ilusão – na Bienal do Rio de Janeiro. Também espero resposta da Editora Darkside sobre o meu original A Luz e a Escuridão que é um livro de ficção/fantasia/distopia. Estou revisando o primeiro volume de Guerra Entre Mundos – Terra – para eventual publicação e partindo para o segundo volume da obra sem definição de subtítulo ainda. E tenho alguns inícios de outras histórias sem títulos. E por último, pretendo publicar minhas histórias engavetadas, por mais de quarenta anos, no Clube de Autores e no Wattpad para que estejam à disposição daqueles que gostam de ler.”

Por fim, a Priscila ainda deixa um recado super fofo:

“Espero que todos encontrem dentro de um livro o sentimento de sonhar e viver uma aventura para além da imaginação, sem esquecer que as palavras são o que fazem a humanidade caminhar pelo conhecimento e desenvolver um raciocínio para a desafiadora crítica do bem viver… Lembre-se que a Cultura é tudo para uma sociedade em crescimento”.

E essa foi a entrevista!

À autora, desejamos todo sucesso e criatividade do mundo! Obrigada por dedicar um tempinho ao Devaneios da Lua!  ❤