sábado, 17 de dezembro de 2016

Resenha do meu livro Inocência Perdida, pela ArcaLiterária.

Vamos ler?!


Esqueçam as modinhas atuais de livros que falam de bruxos, romances adolescentes, anjos caídos, vampiros, reinos e distopias.
 Este livro traz à tona um assunto bem realista muito pesado e delicado, que a população fecha os olhos perante essa problemática social: o abuso sexual infantil.
  “A saga de um pintor: Inocência perdida” é o primeiro livro de uma saga de quatro livros.
   Conta a história de dois irmãos gêmeos que foram separados quando ainda recém-nascidos, pelo pai Carlos Fábio Albuquerque, filho de um barão dono da fazenda Rui Velho – Mato Grosso.
    Na introdução a autora mostra ao leitor a vida da família Albuquerque onde o anfitrião é convencido a sair de sua fazenda após sua venda e se mudar para Porto Alegre por motivos de saúde. Tobias(11 anos de idade) é seu filho adotivo desde que fora encontrado pelo seu filho mais velho, Carlos Fábio, num estábulo, que por esse a criança sofria agressões constantes. Um garoto doce, e que nascera mudo.
    Do outro lado, no orfanato São Marcos dirigido por padres, está Felipe(11 anos de idade), um garoto amado por todos, ativo e que gosta de aprontar. Até então o leitor não sabe qual a relação dele com a história até que Tobias – após se mudar para Porto Alegre com os Albuquerque – acaba por estudar na escola do orfanato e é lá onde ele entra em contato com Felipe e de cara os dois tem uma forte conexão.
    Ana – esposa de Fabio Orlando desconfia de que Tobias seja parente de Felipe, assim como também seu filho Thomas, até o próprio Felipe acredita que Tobias seja seu irmão e empolgado com sua intuição acaba por ir atrás do garoto.
    Em outro ponto, é mostrado o cotidiano do filho mais velho de Fabio Orlando – Carlos Fabio Albuquerque –, que fugira da família indo residir em São Paulo com Marcele, sua esposa, onde tiveram Natanael. Logo de cara o leitor se deparar com um personagem emocionalmente desequilibrado, um pai que espanca o filho, e um garoto(Natanael) reprimido pelas agressões sofridas e que após sofrer ameaça de ser mandado para um internato no exterior acaba por fugir de casa para real desespero de Marcele e falso de Carlos Fabio.
    Carlos Fabio está passando por mudanças na empresa em que seu sócio está vendendo sua parte, então ele compra, porém, precisa de alguém de confiança para continuar o negócio e a primeira pessoa que lhe vem à mente é seu irmão Thomas. Mas como falar com ele se Carlos fez questão de se distanciar da família cerca dez anos sem olhar para trás?
    Então, é que meses depois e sem notícias do filho, resolve procurar por sua família que tanto ele rejeitara, atrás de anistia e claro do irmão para ajudá-lo.
    É neste momento em que Carlos Fabio entra em contato com os irmão Tobias e Felipe que com seu pai Fabio Orlando, pondo-o contra a parede, assume que os dois são seus filhos, tendo de contar o que aconteceu no passado…
    Os garotos acabam por ir morar com Carlos e Marcele em São Paulo, Thomas acaba por aceitar a proposta do irmão e vai morar em outro local da grande cidade.
    Tudo é aparentemente bom, até que os garotos começam a sofrer com o desequilíbrio do pai. Primeiro Tobias, o garoto que não pode nem ao menos falar para se defender e vendo o sofrimento deste, Felipe acaba por se tornar um escudo para ele se impondo ao que o pai faz com seu irmão, a questão é que Felipe não sabe que na verdade seu pai é bem pior do que mostra ser, e num joguinho psicológico em que Carlos impõe a Felipe o pobre garoto acaba por se tornar vítima de violência corporal, verbal e o pior de todos, o sexual – o qual é chantageado constantemente em que Carlos usa Tobias como forma de atingir Felipe e fazê-lo ficar em sua mão.
     A autora, mostra muito bem durante os diálogos e cenas, a retratação de como vítimas da violência sexual são coagidas e tratadas pelos seus abusadores, e o que causa na mentalidade dessas pessoas violentadas. Os danos mentais e corporais que ficarão para sempre.
     Num dos momentos tensos da trama é apresentado Humberto, um pediatra amigo de Carlos Fabio, que acoberta os crimes cometidos pelo amigo e que também faz parte da cúpula de molestadores. A história deixa clara que existe algo que o prende a Carlos Fabio e que com o passar dos capítulos o leitor se deparar com o motivo…
     Uma passagem bem interessante sobre o efeito causado pelo abuso sexual, mostra o que Felipe sente, e acredito que seja o mesmo para todos que passam por algo do tipo:
     “Felipe calou-se olhando aos macacos que se agitavam na jaula, eufóricos, gritando, como se pedissem que fossem soltos. Era assim que ele se sentia, preso ao pai, irremediavelmente atado aos desejos dele. Repentinamente, engoliu em seco, tentando controlar-se e não explodir num choro desesperado.”
     Roberto Azevedo de Lima (irmão do Padre Leôncio), este é nome do investigador que surge como uma esperança na vida de Felipe, que com Thomas, planejam um cerco para pegar Carlos Fabio no flagrante e a todos os envolvidos.
     É perante esta transição da história rumo ao ato final que Felipe chega à conclusão de que deve reagir, e isso surge através crescimento mútuo de sua destruição interior logo refletindo em sua personalidade de forma negativa e ao mesmo instante defensiva; o ódio; a amargura; todos os piores sentimentos juntos para uma única finalidade: vingança. Assim fica claro no trecho:
“Você me destruiu… Mas eu vou destruir a você meu pai”.
     Ainda existe um local específico onde os criminoso sexuais praticarem seus crimes, A ilha de Humberto, que é mostrada ao leitor como um local particular das atrocidades não somente deles como também dos amigos que partilham do mesmos desejos doentios, onde tem um “estoque” de crianças e jovens de ambos os sexos para a satisfação sexual alheia. E não somente isso, após uma certa idade, os jovens são descartado – vendidos no comércio sexual ou lhe tirado os órgão para venda.
     A autora foi cuidadosa em mostrar os estágios do efeito que um abuso sexual causa na mentalidade de uma pessoa – no caso do livro uma criança – e os sinais que são emitidos por tais.
     Felipe é um personagem forte, porém, é destruído por dentro e isso é uma marca que nunca superará.
     Como se trata de uma saga, o final deste deixa uma âncora para o próximo, causando no leitor grande curiosidade para saber os acontecimentos posteriores.
     A capa logo deixa claro o clima da obra, onde se tem um garoto todo vestido de preto numa floresta. A imagem está em tons cinza e preto com a fonte do texto em vermelho, mostrando a densidade, como nuvens carregas no céu num dia nublado. O título numa fonte que parece que as letras estão com rachaduras como cicatrizes que ficarão marcadas.
     A diagramação é peculiar, com a mesma floresta que estampa a capa, porém vazia com uma pedra enorme no meio do caminho, dando uma alusão ao destino de Felipe neste primeiro livro, em que tudo fica difícil para ele após as agressões.
     O livro retrata de maneira bastante nua, não somente a vida das vítimas, como também dos criminosos aos quais são sociopatas de alta periculosidade, mestres na arte de deixar tudo ao próprio favor. Além de tratar de assuntos como comércio sexual infantil e tráfico de órgãos.
     É uma leitura sóbria e equilibrada com clímax intensos e momento de sede de justiça, a autora soube manusear bem todo a trama para que o contexto não ficasse evasivo. Tem uma ótima revisão e diagramação.
     Sim, este livro é um reflexo da vida real, e sim, estes tipos de pessoas existem em todos os lugares.

     Recomendo bastante, você não se arrependerá.
     
     Resenha de Fernando Mello, escritor e resenhista da ArcaLiterária.

    Link para saber mais do livro:                                                                         http://www.livrariadragoeditorial.com/products/a-saga-de-um-pintor-inocencia-perdida-p-m-mariano/