sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Uma prévia de meu livro A Luz e a Escuridão.


- Veja?! O que é aquilo? – perguntou Renne, de repente,
como se quisesse mudar de assunto. Mas, na realidade, via
aproximar-se deles, do grupo, uma parede cinza, estranha.
Suzan ergueu-se um pouco na sela e assustada, percebeu
que aquela parede se aproximava cada vez mais, trazendo junto
a ela, um vento sinistro, frio e veloz. Em instantes, a parede os
envolveu, revelando-lhes a sua essência destrutiva.
- Abriguem-se! – gritava agora Gustavo, saltando de seu
cavalo e levando o animal pela rédea, tentava achar um meio de
se proteger. – É uma tempestade de areia. – Havia feito seu
animal se deitar e lhe cobria a cabeça com o seu próprio
cobertor, enquanto fazia o mesmo com seu rosto e orelhas. –
Segurem os animais com força! Se eles fugirem nunca mais os
veremos.
Rapidamente, todos se uniram e seguindo as instruções
de Gustavo, apenas esperaram o vento passar.
Quando, horas depois a natureza se acalmou. Gustavo foi
o primeiro que percebeu a falta de um dos animais de carga, que
um dos guerreiros, irmão de Tulia, havia morrido e que todos
estavam com escoriações. Foi neste meio tempo que também
deu pela falta de mais um companheiro e isto, para o seu
desespero, foi a pior novidade. Já que, quem sumira, fora Renne.
Marcos estava pálido, olhando ao derredor, procurando
sentir o irmão, mas não conseguia nada.
- Ele estava atrás de mim. – falou Suzan desesperada.
Ninguém mais pensava em seus ferimentos, ou pelo
sufoco que haviam passado. Todos buscavam na região algum
indicio do menino. Mas não havia nada, nem mesmo um rastro,
já que o vento apagara a tudo.
- Marcos...
Gustavo acercou-se do menino que estava atordoado.
- Nos o encontraremos, Marcos.
Marcos agora se virara para Stan.
- Onde?! – foi a única coisa que conseguiu dizer.
                            ------
Renne conseguira, a muito custo, controlar seu cavalo
que diante da tempestade de areia, assustado, se rebelara ao seu
controle e como era bem mais forte do que aquele que montava
em suas costas, tentara fugir. Pulou do lombo do animal e como
ouvira Gustavo dizer, tentou manter o seu animal próximo, mas
o cavalo empinando, acabou por se livrar e desapareceu,
seguindo em direção ao mar negro. Provavelmente, a sorte do
animal não seria nada boa. Então, ergueu os olhos e estremeceu.
Aquele mar de areia, terra e frio, vinha em sua direção. O vento
já se tornara bem violento e ao olhar ao redor, viu que não tinha
onde se esconder. Só havia uma solução.
Suspirando resignado, Renne caminhou até as margens
daquele charco negro e afundou seus pés. Aquilo era pior do que
piche, mas estava bem preso. Nem mesmo aquela tempestade
conseguiria deslocá-lo dali. Se saísse vivo, pensaria então
naquele novo problema.
A tempestade o pegou com violência, sufocando-o.
Tentou se proteger cobrindo sua cabeça, mas a areia era trazida
com tanta força, que lhe cortava a roupa e lhe feria a carne. Aos
poucos, sentiu-se pesado e percebeu que a areia se acumulava
sobre seu corpo. Tentou se mexer, mas estava bem preso quase
até a barriga e afundando cada vez mais.
Quando finalmente o vento cedeu e a tempestade passou.
Renne estava coberto de areia, com mais da metade do corpo
engolido pelo charco e desmaiado. Não havia nada que pudesse
ser feito.